A poesia está na escola...
e em toda a parte
Afonso Dias na Escola Secundária de Tomás Cabreira, em Faro
15 de Janeiro de 2009 -
Breve mostra de excertos vídeo da sessão das 21 horas
Ricardo Reis (Fernando Pessoa) - Não só quem nos odeia ou nos inveja
Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afetos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.
Ricardo Reis (Fernando Pessoa) - Para ser grande sê inteiro: nada
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Fernando Pessoa - O Infante
Deus quere, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a terra fosse toda uma
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo
Quem te sagrou, creou-te portuguez
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa - Nevoeiro (vídeo só com a parte final
do poema)
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Música: Zeca Afonso
Letra: Fernando Pessoa
O comboio descendente (excerto de 30s)
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão
Vista da plateia (5s)
Aplausos (17s)
Clique aqui para ver fotografias desta e da sessão das 10:30m
A poesia está na escola...
e em toda a parte
Afonso Dias na Escola Secundária de Tomás cabreira, em Faro